segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Bar do Licinho: Girassol Gigante, Fogo Paulista e Língua Recheada


BUTECANDO – Por Leonardo Tavares

 
Que Conquista tem complexo de ser o Rio de Janeiro eu já sabia. Isso por conta dos bairros com os nomes: Jardim Guanabara, Cidade Maravilhosa, Cidade Nova, Ibirapuera, Ipanema, Jardim Copacabana, Alto da Boa Vista e etc... Mas o buteco de hoje extrapola isso ao máximo. Não pela comida e nem pela bebida, que fica em outro Estado, e sim por onde o bar se situa. Vamos lá?! Fica ali na Rua Vasco da Gama, no Bairro Flamengo – Tcharaaam. Rua calma e sossegada, longe do “trecho”. Se você vier pela Presidente Vargas, vulgo estrada da Barra, vire à direita, uma rua antes do ultimo quebra-molas, lugar pequeno e protegido por grades.. Lá, nesse lugar futebolístico e carioca, se encontra a tal Língua recheada, cerveja gelada e o famigerado Fogo Paulista.
        
            Hoje, na Coluna Butecando (Blogs O Diário do Oprimido, do Anderson e do Fábio Senna), o Bar do Licinho, que tem como proprietário, e contador de histórias, nada mais nada menos, que Seu Osvaldo – Mentira – é Licinho mesmo, e também, sua digníssima esposa, Dona Erbônia (diferente, né?!). Sem garçom, sem cozinheira, sem pressa. O local conta só com os dois, ele sempre serve, mas ajuda na cozinha, ela prepara os pratos e petiscos. Dizem as más línguas – essa palavra se repete, né?! – que Licinho ficou rico e não abre nem na segunda, nem na terça e, às vezes, nem nas quartas-feiras, mas vá lá, tente a sorte, o final de semana lá começa na quinta – aí é certeza. Palmeirense frustrado, mas diz que torce serrano pra não sair da resenha, sempre papeando, sempre simpático, sempre diz dizendo que foi o primeiro a vender o tal do fogo Paulista na cidade e te induz a provar. Vá por mim, prove.

           Nunca fui lá pra encontrar crianças, mas já vi casais e roda de amigos, bebendo – Cerveja gelada, cerveja de buteco – e proseando enquanto aguarda o pedido, quebrando, mais uma vez, o paradigma de que buteco é lugar só de homem. O banheiro é unisex e limpo e a cozinha – Ahhhh, a cozinha – é mais limpa que muitas que eu já conheci por aí, um espetáculo. O balcão é pequeno, mas dá pra juntar com mais dois e prosear ao som ambiente de um de seus DVDs – MPB, Samba, Love Songs... – Lá rola de tudo um tico e fora um quadro gigante com um girassol, que serve como decoração, tem também uma carreira de tampilhas, das garrafas bebidas, pelas paredes. O lugar é, no mínimo, pitoresco.

            Dona Erbônia é uma cozinheira de mão cheia. E lá não só sai “o de sempre”, ela também aceita encomendas de bolos, tortas e pizzas – que são o carro chefe do final de semana. Bebidas como Whisky, Campari, Conhaque estão por lá, mas você tem que tomar uma dose dessas três coisinhas que eu vou indicar: Leite de Onça – o sabor das antigas micaretas. Fogo Paulista – efeito condiz com o nome. O Quentão de D.Erbônia, feito, também, sob encomenda. Sabores diferenciados e altamente chumbantes.

            Mas, vamos ao que interessa: peça, enquanto bebe uma gelosa, uma porção de manjubinhas fritas, você vai gostar. Prima da piaba e irmã da pitchitchinga, com limão ou molho rose, uma delícia.
            
             Como já disse, lá tem de tudo um tico, mas viemos pela língua e não nos arrependemos. A língua de Licinho (risos) vem recheada com temperos e bacon, envolta no papel alumínio, bastante suculenta. Algo diferente e saboroso, assada e cozida (ou seria cozida e assada?!). Não vem ao caso, o caso é que existe um porém. Para os mais cheios de não me toque, geralmente mulheres, a língua é inteira! Isso mesmo! Ou seja, o aspecto da língua é bastante lingual, no sentido “linguante” da palavra língua (avisei que repetia). Mas não se acanhe, realmente vale muito à pena, caia de boca na língua que vem acompanhada com arroz e uma farofinha. Língua é vida.

            Faça um tour pelo cardápio e experimente com a pimenta – O cão no vidrinho. Preços convidativos e porções generosas fazem parte desse lugar futebolístico, sossegado e – por que não? –  carioca em nossa cidade.

            O lugar parece um pedaço de nossa casa onde recebemos amigos pra beber e jogar conversa fora. Pera aí... É um pedaço da casa. Pedaço onde Licinho e Dona Erbônia têm todo cuidado e zelo para atender seus clientes. Sabe aquele lema: “Aqui trabalha minha família para servir bem a sua.”?! Lá é verdade.
 

Tavares 512
Nosso Blog já está pronto. Em breve, aqui, mandamos o endereço do “Buteco 512”.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

CANETA ORTOGRÁFICA: invenção vibra quando palavra sair com erro


É escrever errado e a caneta logo assume o papel de corretora ortográfica e com um sistema vibratório, acusa que uma palavra foi escrita de forma errada. Esta é a função da “Lernstift”, mais nova invenção na era do analfabetismo funcional crônico que assola a modernidade, cria de dois alemães, que deve auxiliar quem escreve errado.

Usando um sensor de movimentos que combina um giroscópio e um acelerômetro, a caneta pode capturar e monitorar a escrita do usuário, vibrando toda a vez que uma palavra errada aparece no papel. A ideia veio da esposa do co-criador do aparelho, Falk Wolsky, que queria ter algo para ajudar seu filho que estava fazendo a lição de casa.

Dentro da caneta há um processador, um chip de memória, um módulo para a vibração e uma antena para conexões Wi-Fi. O dispositivo tem dois modos: o aviso de gramática e um monitor que auxilia na melhora da caligrafia.

Para identificar erros de gramática, já que cada pessoa escreve de forma diferente, a caneta usa um sistema de reconhecimento de escrita testado em milhões de smartphones e tablets ao redor do mundo. Ela aprende a escrita do usuário depois que é feita uma calibragem do dispositivo.

Por enquanto, a caneta possui três pontas diferentes e reconhece o vocabulário dos idiomas inglês e alemão. No site da caneta no “Kickstarter” é possível comprar o aparelho por 99 libras, cerca de R$ 341.

(Foto: Divulgação/Lernstift)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Vitória da Conquista em 1987



Carolina Bittencourt postou nas ultimas semanas alguns videos nas redes sociais com imagens da nossa Vitória da Conquista. São imagens amadoras do ano de 1987 que valem a pena recordar a nossa pacata e querida Jóia do Sertão Baiano.

Ruas, casas, carros, musicas, detalhes que  transformaram um simples video amador em um momento fantástico de recordação.

Parabéns por compartilhar com todos nós esses momentos.

 
 
 
 
TÚNEL DO TEMPO: Conquista de 1987 registrada em vídeo amador
 
A sensibilidade de quem registra momentos históricos é uma condição de poucos, que ao final das contas, acaba beneficiando a todos. O saudosismo ou querer retomar momento do passado em imagem e vídeo é um sentimento comum e em Vitória da Conquista um fragmento de tempo em dois vídeos baixados no youtube, está oferecendo a muita gente um momento de rara recordação, em filmagem amadora de 1987, segundo informa a gravação, realizada no mês de julho, em um final de semana ignorado.

O casal, com o filho em cadeirinha especial no banco de trás, transita algumas vias importantes do centro da cidade. Não se sabe qual a intenção da filmagem, sua finalidade, ou mesmo se era apenas a utilização sem propósito de um equipamento de vídeo que para a época se tratava de luxo para poucos. Mas o importante é que dotada de um espírito de compartilhamento e decência com a história da cidade, a filha do casal, Carolina Miranda Bittencourt, resolveu postar o vídeo pra lá de surpreendente no youtube, para deleite dos tantos conquistenses que viveram aqueles tempos..

Fuscas, Fiats 147, Chevettes, Opalas, Paratis, escorts são os automóveis mais vistos nas vias por onde trafega o cinegrafista amador, nos idos de 1987, ao lado de sua família, passando do bairro Guarani rumo ao centro da cidade, revelando um cenário de época que surpreende a todos por outros tantos detalhes, como pontos comerciais, veículos, pessoas, vestimentas, propagandas, numa linguagem guardada em um compartimento de tempo que apenas o imaginário não ajudaria a reproduzir.

Ao fundo dos vídeos a trilha sonora despropositada com canções de sucesso do momento, em sintonia de rádio local, que colaboram mais ainda para o recorte de tempo, com canções como “Amanheci sozinho” do Roupa Nova, acompanhada por outro hábito perdido ao longo do tempo, o de assoviar.

O passeio familiar acontecia em final de semana, com lojas fechadas, mas com um movimento de trânsito considerável. O trajeto traz recordações da loja 11 do Superlar; circula a avenida Régis Pacheco e chega ao “Bigode de Pedral” e Cofet, para em seguida chegar a uma Lauro de Freitas irreconhecível, com poucos ônibus da Conquistense disponíveis. Na 2 de Julho registram-se alguns casarões ainda conservados e logo depois a praça Caixeiros Viajantes, onde se abrem Banco do Brasil, Banco Econômico e tantos outros detalhes daquela Conquista.

No segundo vídeo, um outro fator visível, nos momentos em que a câmera consegue expandir a imagem da cidade, e a conservação da Serra do Peri Peri, com quase nenhuma moradia, ao menos nos pontos onde se avista a serra. Também pode ser visto o Centro de Cultura recém inaugurado, o “lojão” da Superlar, a praça Guadalajara da Escola Normal e depois o casal estaciona brevemente na praça do Gil, que viria a ser palco da grande micaretas. Os cinegrafistas amadores seguem a Vivaldo Mendes e passam pela panificadora Recreio, atual Chame Chame e já entrando na Coronel Gugé se deparam com a Arapuã, até seguir à praça Tancredo Neves.

O cenário político também era de mudanças, quando o prefeito municipal era Hélio Ribeiro, que comandou a cidade no lugar de José Pedral Sampaio, que asumiu a Secretaria de Transportes do Governo Waldir Pires. No país, outros fatos importantes aconteciam: a instalação da Assembleia Nacional Constituinte; lançamento do Plano Bresser; candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República; Nelson Piquet torna-se o tricampeão mundial de Fórmula 1 e Brasília é declarada como Partimônio Cultural da Humanidade.
Texto extraído do Blog do Fábio Sena

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mentir no boteco pode pegar mal!

Hércules levanta seu copo de cerveja e brinda:

"Quero passar o resto da minha vida, entre as pernas da minha esposa!"
Isto lhe rendeu o prêmio máximo no boteco para o melhor brinde da noite!
Voltou para casa e disse à sua esposa:
- Maria, eu ganhei o prêmio para o "Melhor Brinde da Noite".
- Parabéns! E qual foi o brinde?
Sem coragem de contar a verdade, ele falou:
- Eu disse: "Quero passar o resto da minha vida na igreja, sentado ao lado de minha mulher".
- Puxa, isso foi realmente muito bonito!
No dia seguinte, Maria encontrou um dos amigos de Hércules , que riu furtivamente e disse:
- Sabe, dona Maria, que o Hércules ganhou o prêmio de melhor brinde da noite?E o brinde foi sobre você...
- Sim, ele me contou e eu fiquei surpresa, pois ele não é muito chegado no assunto.Desde que casamos ele só esteve lá uma vez...Eu até tive que puxá-lo pelas orelhas para fazê-lo entrar, mas ele caiu no sono antes da "benção final".

Portanto, evite mentir no boteco!!!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Paulo Henrique Amorim é condenado à prisão por injúria contra Heraldo Pereira

O apresentador Paulo Henrique Amorim, da TV Record, foi condenado à prisão por chamar o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo, de "negro de alma branca".

A pena, por crime de "injúria preconceituosa", foi fixada em um ano e oito meses de reclusão, e substituída por pena restritiva de direito a ser ainda definida.

Como Amorim completou 70 anos em fevereiro, os desembargadores diminuíram a pena em três meses, "diante da atenuante de senilidade" prevista em lei.

Em 2009, o apresentador, que mantém um blog na internet, publicou um texto com críticas a Heraldo Pereira. Nele, disse que o jornalista era "negro de alma branca" que "não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde".

Na sentença, a desembargadora Nilsoni de Freitas Custódio considerou que as declarações de Amorim "foram desrespeitosas e acintosas à vítima" e que "foi nítida a intenção de ofender a honra" de Pereira.

A advogada Maria Elizabeth Queijo, que representa Amorim, disse que vai recorrer. "O Paulo exerceu o direito de crítica. Ele tem esse estilo muito contundente, irônico, cortante. Mas a história toda da vida dele é de defesa dos negros, das cotas, de políticas afirmativas. Soa estranho ser acusado dessas práticas."

No ano passado, Amorim teve que se retratar publicamente, em anúncios de jornais, por causa das declarações sobre Heraldo Pereira.

Por Mônica Bergamo colunista da Folha/Joelmir Tavares de São Paulo
Foto: Mastrangelo Reino/Folhapress
Fonte: Folha

O dia em que Miguel Côrtes me entrevistou


Gil Brito | Galhofas a Mil

Alguns anos se passaram. Mas me lembro bem daquela noite de 2005 ou 2006, quando, pouco antes das sete horas da noite, fui ao velho casarão da Praça Barão do Rio Branco onde então era gravado o programa Som da Tribo, transmitido pela Rádio Clube de Vitória da Conquista. O motivo de minha visita – e que me provocava seguidos calafrios – era conceder uma entrevista ao vivo ao apresentador Miguel Côrtes. Estava ali com a incumbência de falar sobre o Café com Bolacha, evento que organizaríamos, dias depois, na antiga Galeria e Café Don’Antônia, em que, além de uma exposição de capas de discos de vinil, haveria uma vitrola disponível aos visitantes, que podiam ouvir ali o LP que quisessem.

Nós, os organizadores – meia dúzia de estudantes descapitalizados, mas muito impetuosos – precisávamos divulgar o evento, e nos demos conta de que havia sintonia entre o público que queríamos atingir e o que garantia a audiência do programa. De modo que Miguel não teve dúvidas ao nos garantir, no Som da Tribo, o espaço de que precisávamos. A entrevista seguiu tranquila, em clima descontraído – o que entrava em contradição com meu estado de nervos. É difícil, para um tímido contumaz, falar ao vivo num programa de rádio. Mas, ao final do programa, acreditei ter cumprido minha missão com certo desembaraço. E, para isso, contribuiu certamente a simpatia de Miguel.

O Café com Bolacha foi um sucesso indiscutível. Foram três dias em que o Café Don’Antônia esteve lotado. Pode-se dizer que quem era interessante e relevante em Vitória da Conquista – digamos, a intelligentsia e a boemia locais, gente de teatro, cinema, literatura, meios acadêmicos, enfim – esteve presente. Quem queríamos que fosse, foi. E até quem não esperávamos que comparecesse, surpreendeu-nos com a presença. Muito desse êxito, devemos à divulgação feita por meio do Som da Tribo.

Não fomos os únicos a dispor da influência de Miguel e seu programa. O Café com Bolacha foi somente mais uma iniciativa que ele abraçou e contribuiu para viabilizar. Miguel acreditava no potencial da arte – especialmente, da música – como forma de mobilização. Entregou-se a isso de tal forma que acabou por tornar-se uma espécie de porta-voz da cena musical da cidade. Ao longo do tempo em que apresentou o Som da Tribo, manteve um público cativo que, após sua morte, sentiu-se órfão. Esse mesmo público continua carente de um representante. A cidade é pródiga em pessoas que sentem por ele alguma forma de gratidão.

Embora tenha sido entrevistado por Miguel, e sempre nos cumprimentássemos de forma protocolar, não cheguei a dispor da amizade de sua amizade. Mas, assim como seus inúmeros ouvintes, ainda não me habituei a não vê-lo mais caminhar, sempre taciturno, pelas ruas, nas noites frias de Vitória da Conquista. O rádio já não toca nossas músicas favoritas às sete da noite. As noites de sábado perderam um pouco de seu charme sonoro. A voz de Miguel já não irrompe, irada, contra o que ele considerava incorreto. E a tribo já não tem quem garanta seu som.